"É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade"
Eu, etiqueta - Carlos Drummond de Andrade
O mundo contemporâneo, nos trouxe, não apenas questões sociais, como a necessidade de participação em grupos, através das nossas escolhas, mas, através disso, trouxe graves consequências ao ser humano. Com o decorrer do tempo, pode-se perceber um movimento muito grande contra a solidão.
O fato de estar sozinho, se achar isolado do mundo, foi sendo evitado cada vez mais, por todo indivíduo. A necessidade de ser acolhido por um grupo de iguais se tornou tão forte que o medo do desamparo ficou ainda mais evidente
Em Birman (2006) temos que
"o masoquismo seria a forma privilegiada de ser da subjetividade, que se protege dessa maneira triste de um suposto malefício maior produzido pela modernidade, qual seja, o desamparo. [...] para se protegerem do horror do desamparo, as individualidades se valem do masoquismo como forma primordial de subjetivação".
Analisando-se por esse viés, as noções impostas pela e para a contenporaneidade, percebemos claramente que evitar o desamparo é, não somente uma necessidade das sociedades atuais, o cerne que está por trás da experiência masoquista.
"Se você gritasse,
se você gemesse
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!"
E agora, José - Carlos Drummond de Andrade
A fuga do horror do desamparo se dá de diversas maneiras, porém, é pelo masoquismo que essa busca por outros mundos, que não o do desamparo se torna evidente, já que através do masoquismo "o sujeito se submete ao outro de maneira servil, seja de forma voluntária ou involuntária, pouco importa" (Birman, 2006), para concretizar a fuga do desamparo através de um OUTRO, que cuida e ampara, não o deixando só diante da sociedade, enquanto o sujeito se entrega de corpo e, muitas vezes, alma a esse OUTRO que lhe dá abrigo.
Diante destes argumentos, o que podemos interrogar é como esse outro se beneficia deste sentimento de desamparo do sujeito que se entrega de maneira servil e, mais além, quem é esse OUTRO em quem o sujeito busca refúgio diante do desamparo.
Eu, etiqueta - Carlos Drummond de Andrade
Por Paulo Autran
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