É como viver em um mundo onde sempre se deve escolher algo.
De fato, a contemporaneidade nada mais é do que um tempo onde todo indivíduo tem à sua volta, milhares e milhares de alternativas, e ao mesmo tempo não tem nenhuma.
"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo."
Traduzir-se, Ferreira Gullar.
O poema Traduzir-se, de Ferreira Gullar, representa claramente a situação em que nos encontramos na sociedade atual. O mundo hoje já não é mais o mesmo de 10 anos atrás. Tudo muda rapidamente, e quase não percebemos as mudanças que nos são impostas.
O mundo contemporâneo em que vivemos dita regras e faz com que nós as obedeçamos sem questionar, sem interrogar e, até mesmo, sem perceber em que momento, por quem e como são criadas e difundidas estas regras.
Ao mesmo tempo em que seguimos estas regras, inconscientemente, estamos seguindo regras para que possamos ser aceitos em um grupo que exige que você seja isso, seja aquilo, vista isso, vista aquilo, entre outras questões e adjetivos que são exigidos por grupos e mais grupos, para que possamos fazer parte destes.
Estamos em mundo paradoxal, e ai entramos no assunto deste post.
Quero fazer parte de um grupo. Mas quero fazer o que eu quiser.
Devo vestir Empório Armani para ser aceito. Mas quero vestir o que quiser para eu me aceitar.
Quero ser aceito por todos. Mas quero ser aceito, antes de mais nada, por mim.
Hoje, se dissermos que SIM, e o mundo nos diz que NÃO, somos obrigados a aceitar e nos tornarmos submissos para não sermos excluídos da sociedade. Queremos a calmaria de estar só por alguns instantes, mas não aceitamos a exclusão do grupo ao qual fazemos parte.
Somos quem queremos ser? Somos quem devemos ser? Ou somos quem os outros querem que sejamos?
Somos tudo isso: somo quem queremos ser, mas ao mesmo tempo, somos quem devemos ser para sermos aceitos. E somos, acima de tudo, o que dizem que nós somos.
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