Através das atitudes ordálicas, anteriormente abordadas aqui, podemos tomar conclusões muito complexas quanto ao indivíduo e sua relação com e na sociedade.
As atitudes ordálicas, através de meios ilícitos, se configuram muitas vezes por serem atitudes transgressoras, e a partir dai se caracterizam como atitudes paradoxais, pois, se de um lado temos a valorização do risco, a excitação pela aventura, por outro temos a condenação do mesmo que leva a sociedade, de modo geral, a um senso comum, de forma a não analisar corretamente estes casos ordálicos.
Dentro dessa perspectiva, podemos situar a construção do EU, afinal, quem sou eu? o que é e como formamos nossa identidade?
A resposta a essas e outras perguntas, são muito complexas. A busca por uma noção de construção de identidade é muito recente, e muitas vezes está associada às experiências do sujeito.
De fato, a identidade não é algo estático. O ser humano se transforma, cresce e se desenvolve. A partir de determinado momento, o sujeito passa a construir sua identidade, num processo lento e gradual que, ainda assim, não definirá uma ideia ou mesmo característica de identidade estática.
A construção da identidade do ser está sempre em movimento, é mutável e tem caráter dinâmico e versátil. Apresenta ainda a contradição durante todo seu processo de desenvolvimento.
O ser humano não é, em si mesmo, estático, e por isso a construção de sua identidade se dar de forma lenta e gradual. Cada um se transforma de acordo com as múltiplas identificações que vão se dando ao longo da vida.
Para entendermos melhor então essa noção de construção de identidade através das vivências do indivíduo, podemos considerar, assim como Birman que, na contemporaneidade, as identidades não se constroem mais por "delegação antecipada", e sim, cada sujeito deve constituir-se por seus próprios meios.

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